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terça-feira, julho 30, 2013

O dia em que Marianne enfeitiçou Joseph.



Joseph já estava cansado de tanto trabalho nos vinhedos e por isso contratou Marianne para cuidar de tudo.
Cuidou das finanças, das exportações, dos vinhedos, das contas pessoais dele, de tudo.
Joseph se limitava a gastar o dinheiro que havia guardado desde o Bar Mitzvah (e olha que ele já tinha quase 48 anos, fazia muito tempo, muito dinheiro pra guardar).
Ela cuidava com uma atenção implacável.
Nenhum centavo seria desviado por Marianne.
Um caráter acima de qualquer suspeita.
Aquele tipo de pessoa que só tem pensamentos bons, construtivos, otimistas, corretos.
Ela também não julgava nada, não opinava sobre os gastos de Joseph (que agora eram dignos de um magnata).
Não bastasse tudo isso ela ainda era de um charme avassalador.
Se fosse só tudo isso seria difícil resistir, mas talvez fosse possível, mas os olhos azuis emoldurados por pálpebras feitas como se fosse por computador, pernas longas, bem torneadas e musculosas (sem excesso), uma boca de fazer inveja a Angelina Jolie, por fim, se dessem um prêmio de loteria para quem encontrasse um defeito nela o prêmio ficaria acumulado.
Joseph na sua ânsia em aproveitar a vida só foi perceber isso depois de pelo menos 1 mês.
Passeou com Caroline, com Isabelle, com Jeanne, com Christine...
Ele não era de se jogar fora e deixou corações em prantos depois de cada passeio.
Marianne era séria.
Era de uma sensualidade que tiraria o sossego de um mosteiro.
Joseph foi percebendo aos poucos que tinha uma jóia por perto.
Tentava investir, mas a seriedade impedia uma aproximação.
Conversas pelos vinhedos, degustações nas tranquilas salas de barricas, uma taça de vinho no final da tarde e um pôr do sol que mudaria tudo.
Naquele fim de tarde Marianne contou que tinha perdido o grande amor da vida dela.
Ele tinha ido embora pra sempre, depois de um acidente automobilístico.
Tudo ia bem entre eles.
Os dois não se cobravam, não brigavam, não pensavam duas vezes antes de qualquer divertimento, qualquer agrado que pudesse levar o outro ao paraíso.
Depois do acidente Marianne fez uma viagem longa.
Passou pela África, pelo Oriente e Oceania.
Na Austrália trabalhou em vinhedos e pegou um gosto pelo trabalho que fez com que a dor se limitasse a uma saudade infinita e diária.
Joseph ouvia tudo em calma, com momentos de dó e momentos de esperança.
Sabia que poderia tentar preencher aquele vazio. Queria preencher.
Os olhos de Marianne hipnotizavam Joseph.
O vinho acompanhava cada frase, em goles pequenos e maiores...
As taças giravam, o olfato, o paladar...
Joseph deu o beijo mais inesquecível de sua vida.
Um beijo longo, bem correspondido e bem acompanhado de carícias e uma noite que passou num segundo.
Marianne foi embora antes mesmo que ele acordasse.
Nunca mais voltou.
Caroline, Isabelle, Jeanne e Christine, ainda insistiam em Joseph.
Ele sofria com isso e não insistia com Marianne.
Soube que ela havia voltado para a Austrália.
Os anos passaram e ele jamais esqueceu daquela noite.
Continuou passeando pelos vinhedos do Loire e pelas vidas de Caroline, Isabelle, Jeanne, Christine...
Nunca conseguiu ver nada de Marianne em nenhuma delas.
Aguentava firme a dor.
Dizia sempre: "prefiro o sofrimento por ter amado sem ser amado do que as vezes que fui amado sem amar..."

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