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terça-feira, janeiro 07, 2014

Benjamin Entrou no Jogo Para Fugir da Solidão - Conto




O carro passou tão rápido que nem deu pra ver.
O tal crítico americano visitou toda a vizinhança mas esqueceu de Benjamin!
Benjamin deu de ombros e seguiu seu trabalho. 

Afinal tudo que produz vende e não queria aumentar os preços só por causa de um critico americano.
-faria bem para o ego! pensou Benjamin.
Um mês depois os vinhos da vizinhança foram todos relacionados no tal guia.
Os turistas andavam pra lá e pra cá para visitar os outros vinhedos e Benjamin seguia na sua solidão.
Aquele pequeno lote de Chassagne-Montrachet era valioso. 

Nunca viu pesticidas, herbicidas ou coisa parecida. 
Dos troncos de mais de 40 anos saia um néctar que invadia os restaurantes estrelados de Paris por um preço muito mais baixo dos praticados pela vizinhança.
Os cabelos grisalhos, o olhar azul e tranquilo e os inacreditáveis 66 anos não impediam que trabalhasse sozinho, com ajuda apenas durante a colheita.
A região toda sabia que aquele vinho era o melhor, compravam direto de Benjamin e acabavam com o estoque rapidamente.
Benjamin tinha uma vida confortável. 

Clientes certos, vendas certas e gastos dentro do previsto. 
Os vizinhos agora passeavam de carros novos, casas reformadas e viajavam pelo mundo afora mostrando seus vinhos.
Uma ponta de inveja atingiu pela primeira vez Benjamin. 

Afinal seus vinhos eram infinitamente melhores!
No dia seguinte veio o primeiro passo: aumentou os preços sensivelmente.
Mais um dia e Benjamin procurou concursos e degustações às cegas para enviar amostras.
Um mês depois os resultados eram animadores. 

O Guide Hachette, que jamais havia recebido sequer uma amostra de Benjamin, e ainda por cima tinham um pedido assinado e carimbado para que não opinassem sobre o seu vinho, deu 3 estrelas na primeira amostra enviada em 40 anos.
Um telefonema no meio do jantar e a voz de Benjamin: yes...yes...d'accord...oui...thank you...
Com o coração disparado disse em voz alta: Le critique americain!!!
Um mês depois lá estava ele, mostrando seus vinhos ao critico americano. Mais 1 mês e as notas só eram comparáveis com vinhos que Benjamin chamava "de outro mundo".
Os vizinhos olhavam com uma ponta de inveja.
Os visitantes perguntavam pelo Domaine de Benjamin por um raio de 20 km.
Benjamin não comprou carro novo, nem saiu viajando pelo mundo. 

A casa também não precisava de reformas, mas ganhou vida. 
Benjamin casou de novo. 
Largou a viuvez.
A inveja dos vizinhos era pela mulher mais desejada da Borgonha.
Apareceu lá depois de ler o tal guia. 

E nunca mais saiu...

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