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sexta-feira, julho 24, 2015

Na colheita da Borgonha, Anna e Karl escreveram no livro da vida. - Conto


Anna já estava acostumada a pegar o Thalys (trem que liga a Holanda e a França) e trocar Amsterdam pela Borgonha todos os anos em época de colheita.
O que não estava acostumada era chegar na estação e um quase senhor, de 1 metro e 80, pegar sua mochila e levar até o bagageiro do trem.
Ela ficou assutada.
A sua visão feminista moderana ficou retorcida.
Mas o ego...
Esse gostou.
Ele era mais maduro.
Como se diz no Brasil, não cozinha mais na primeira fervura.
Ela jovem.
Bonita como toda holandesa, mas nada a ver com a beleza padrão do país.
Fila de cearense com paulistana, Anna era morena, cabelos e olhos escuros.
Alta, jovem, um olhar e um sorriso de deixar tonto qualquer mortal.
Quando falava era gentil, educada, inteligente...
Mas como Karl percebeu tudo isso antes mesmo de conversarem???
Intuição talvez.
A conversa veio depois.
Comeram um doce no trem.
Parece que o chocolate deixa as ideias mais claras, deixa os ânimos mais atentos e talvez a simpatia... Bom isso eu não sei.
Os dois viajaram juntos até Beaune, no coração da Borgonha.
Conversaram como se fossem velhos amigos, mas Karl tinha muito mais do que amizade no olhar.
Ela contou que trabalharia na colheita e no dia seguinte, bem cedo lá estava ele, na mesma vinícola com tesooura em punho para o primeiro dia de trabalho.
Cada um fazia uma fileira, mas claro que a pausa era de muita conversa, vinho em copo de plástico e um Coq au Vin maravilhoso.
Foram 2 semanas indo de vinhedo em vinhedo.
Muita conversa, muito respeito.
Nada de beijo.
Ele queria.
Ela também, mas tinha receio e muita classe para afastar o pretendente.
Era um jeito que não afastava completamente e nem aproximava o suficiente para um beijo.
A noite ela evitava conversa.
Banho e cama.
Karl, em sua segunda ou terceira fervura, teve a paciência que a experiência de vida presenteia.
Olhava para Anna como quem olha uma obra de arte.
Anna já perdia forças para afastar.
Os dias corriam e já quase não sobravam uvas nos pés.
Era hora de decidir.
Anna tinha medo de repetir erros do passado.
Karl tinha medo de não tentar acertar o futuro.
Na última noite a colheita terminou com uma festa.
Todos iriam.
Foram horas de conversa.
Os dois abriram os livros de suas vidas.
A holandesa Anna já não tinha mais forças para afastar Karl.
Karl já não tinha condições de resistir.
O beijo foi longo.
A volta para Amsterdam foi rápida como sempre.
A vida de Karl e Anna segue o curso.
Os dois continuam celebrando o amor todos os anos, repetindo o ritual da colheita.
As filhas, de 10 e 11 anos já conheceram São Paulo, Fortaleza, e claro, a Borgonha...
Anna perdeu o medo do passado. Já nem lembra mais.
Karl perdeu a incerteza com o futuro.
Hoje, os dois passaram a escrever 4 vidas no mesmo livro.

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